MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE!

Eudes Moraes

O vento marítimo serpenteava pelas ruas da orgulhosa Balneário Camboriú. A sessão cultural fora marcada por momentos literários, arte e emoções. Em seguida, nos reunimos num coquetel para um novo momento de descontração. O néctar dos deuses eliciava as papilas gustativas e dava o tom para a confraternização.

A noite é uma criança, quando a magia acontece!

O grupo que permaneceu até o final, nem percebeu mas o relógio do tempo prenunciava as badaladas finais. Descemos todos e nos despedimos. Cheguei em casa e no meio da troca de roupas para me recolher, o telefone tocou. — Será que a bolsa não ficou no seu carro? Vesti-me às pressas, peguei a chave do carro, chamei o elevador, abri a porta, acendi as luzes internas, corri os olhos e passei as mãos pelos assentos e nada. Examinei o piso do carro e não a encontrei. Fiz um telefonema de volta e senti  disposição para retorno ao local da reunião.

Com meus botões, imaginei a sua importância. Dentro de bolsas femininas sempre há batom, gloss, documentos, cartões de crédito e o mais importante de tudo: – a pedra preciosa -, sem a qual, todas as conexões se apagam e perde-se aquelas lindas fotos guardadas com carinho.

E se a bolsa não estiver lá? Tem que estar, porque se não estiver… vai dar um trabalho danado, pensei. Então, só tem um jeito. E foi o que me propus fazer, retornamos. Quando a gente está preocupado, parece que a ansiedade conspira com as dificuldades. O som da campainha não chegava aos ouvidos do vigia. Ele veio. Explicamos, ele compreendeu e abriu a porta. Ela chamou o elevador e subiu. Não demorou muito, retornou.   — Achou a bolsa? Indaguei. — A porta está trancada, ela respondeu. — Não, eu não tranquei a porta, esclareceu o vigia.  Assim, subimos novamente e a porta certa ficava no lado oposto da porta trancada. Ela se abriu e acendemos as luzes. Vistoriamos todos os lugares e não achamos nenhuma pista. Chamamos o elevador e descemos.

— Muito obrigado! Dissemos para o vigia, enquanto meus olhos corriam sobre as poltronas e por todos os móveis da recepção.  Naquele momento, me lembrei dos ensinamentos do tempo de criança: “quando perder alguma coisa, diga:  São Longuinho, São Longuinho, se eu achar a bolsa, darei três pulinhos”.

Quem nunca esqueceu alguma coisa em algum lugar? Tá bom, mas que a gente fica preocupado, fica e muito! Nessas horas, sempre uma palavrinha de conforto sussurra dentro da gente – vai dar tudo certo, você vai ver! Se alguém a encontrar, devolverá.

Retornamos para as nossas casas. — Tentamos, pensei! Agora é aguardar o dia seguinte para retomar as buscas. Nisso, o meu telefone tocou!

— Estou ligando para lhe contar que a bolsa… conte-me, conte-me, estou curioso, supliquei, interrompendo a notícia. …

— Desculpe-me, mas a bolsa não tinha ido, ela tinha ficado em casa, sobre o móvel da sala, bem próximo da saída…

Rimos muito e os sinos da meia-noite tocaram.

Eudes Moraes é Presidente da Academia de Letras de Balneário Camboriú.

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