Deixo aos Deuses que Disputem Minha Alma – Teca Mascarenhas

enquanto as mãos de Láquesis
urdem meu destino poeta

com os fios da solidão teço minha
morada
e na trama do silêncio
acastelada
bordo a música que canto na invernada

quando me inflama o coração
celebro a paixão em liturgia
e malho o sentimento a ferro ardente
a me lacerar a pele em agonia

assim ao fogo vulcânico plasmadas
forjadas em lava incandescente
nasce dessa alquimia
o extrato da palavra

depuradas no calor da aflição
e na ânfora do peito perfumadas
são entornadas no cavo dos meus dias
que acetinados do bálsamo da poesia
desbordam dos teus dias
– em comunhão

Teca Mascarenhas – Poeta

Aconteceu

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